Eu não vejo diferença, por exemplo, entre um homem-bomba cheio de raiva, querendo explodir o mundo, e o cidadão comum que caminha na rua, cansado e insatisfeito com a realidade, louco para chegar em casa e despejar sua frustração na esposa, nos pais e nos filhos. O que eu quero dizer é que não somos homens bomba, literalmente, carregados de explosivos, correndo desesperadamente na direção dos nossos inimigos. Somos, sim, homens carregados de raiva, de medo, de revolta e de falta de compreensão. Essa combinação, esse coquetel, é a pior de todas as bombas. Porque essa não é uma bomba que explode uma vez só, mas sim a cada dia. A todo instante, ela vai destruindo e acabando com a vida das pessoas que a gente mais deveria amar.
SOBRE O AUTOR
Pedro Marodin nasceu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul em 17 de novembro de 1963. Escritor independente, publicou as seguintes obras: Ermitagem (1988), Sexo das Flores (1990), O Grande Minerador (1994), Buquê de Flores (1999), Diário de um Poeta Pé na Estrada (2004), Sem Meias Palavras (2007), Triskel (2009), Toninho Pescador (2009), Vinte e Um (2010), O Coração Humano – Uma Leitura Clínica Poética (2011), Circense (2012), Cadê a Bronca? (2015), A Porta (2018), Preconceito Linguístico – Os Perigos na Gravidez da Língua Mãe (2019), Haicai da Redenção (2025)

